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quinta-feira, 17 de março de 2011

MULIERIS DIGNITATEM


         No mês em que ocorreu o dia internacional das mulheres, quero refletir a   Carta Apostólica de João Paulo II sobre a mulher e sua vocação – Mulieris Dignitatem – Dignidade da Mulher. Não é triste pensar que são necessárias leis, um dia, políticas públicas, movimentos, para a sociedade valorizar e respeitar a mulher?(O mesmo ocorre com idosos, crianças,etc.). A mulher deve ser respeitada simplesmente por ser um ser – cidadã e filha de Deus – e ainda mais amada pelo seu chamado principal: a mulher representa um valor particular como pessoa humana e, ao mesmo tempo, como pessoa concreta, pelo fato da sua feminilidade [...]ela é aquela na qual a ordem do amor no mundo criado das pessoas encontra um terreno para deitar a sua primeira raiz¹, ou seja, o primeiro contato com o amor que o ser humano tem é através da mãe-mulher.
         No entanto, ninguém sabe amar se nunca foi amado. Por isso, faz parte da identidade da mulher devido à sua feminilidade ser amada primeiramente, para, por sua vez, amar. A dignidade da mulher está intimamente ligada com o amor que ela recebe pelo próprio fato da sua feminilidade e também com o amor que ela, por sua vez, doa¹. Além de ser amada por Deus, pela sua família, pelo seu esposo, a sociedade também tem o dever de amar a mulher, pois é ela, o berço da sociedade. Entretanto, há tempos que se promove uma cultura de que amar a mulher é igualá-la ou torná-la mais que o homem, o que abafa sua feminilidade, e não a valoriza pelo o que ela é. Feminilidade, segundo o dicionário Aurélio, é Qualidade, caráter, modo de ser, de viver, de pensar, próprio da mulher. Homens e mulheres devem ter direitos iguais, mas não são iguais na sua natureza, e isso é belo: serem diferentes e se completarem. Como diz diácono Nelsinho Corrêa: “Diferenças não são barreiras, são riquezas”.
         A sociedade e a mulher, com o passar do tempo que o sexo feminino foi deixando de exercer sua vocação e sua feminilidade, na mesma proporção, foram ficando sem sentido e sem identidade. À medida que a mulher foi saindo de casa para trabalhar, deixando seus filhos na creche das 7h às 19h, cada vez mais, seus filhos – a nova geração - foram ficando sem referências e sem amor maternal, o que ocasionou a nossa juventude de hoje, que preenche o seu vazio com drogas, violência, e relacionamentos descartáveis. Já a mulher, agredindo, desde o seu corpo, com roupas cada vez mais masculinas, até seu psíquico, quando, mesmo sendo um ser sensível e dócil, tem que encarar o mundo de maneira fria e calculista, foi perdendo sua essência e se auto-flagelando. A mulher não pode se encontrar a si mesma senão doando amor aos outros¹.
 Há clínicas psicológicas em Caxias do Sul que tratam da depressão, síndrome de pânico,e outras doenças no sexo femino, através do resgate da feminilidade dessas mulheres. No entanto, o mais contraditório na nossa sociedade,é que, a mesma cidade que promove um tratamento eficaz para a mulher, também permite que a torne um objeto de prazer e comércio humano através da prostituição: Um levantamento realizado pelo Pioneiro durante duas semanas aponta pelo menos 30 endereços, somente na área central, onde o favorecimento à prostituição de mulheres é explícito. Onde está o Ministério Público, Polícia Civil, Brigada Militar e Fundação de Assistência Social, que, recentemente, em uma megaoperação, desarticulou uma suposta rede que explorava travestis em Caxias?
     A mulher é forte pela consciência de sua missão, forte pelo fato de que Deus lhe confia o homem, sempre e em todos os casos, até nas condições de discriminação social em que ela se possa encontrar. Esta consciência e esta vocação fundamental falam à mulher da dignidade que ela recebe de Deus mesmo, e isto a torna forte e consolida a sua vocação[...]tal como saíram do coração de Deus, com toda a beleza e riqueza da sua feminilidade; tal como foram abraçadas pelo seu amor eterno; tal como, juntamente com o homem, são peregrinas sobre a terra, que é, no tempo, a pátria dos homens e se transforma, às vezes, num vale de lágrimas ; tal como assumem, juntamente com o homem, uma comum responsabilidade pela sorte da humanidade, segundo as necessidades cotidianas e segundo os destinos definitivos que a família humana tem no próprio Deus, no seio da inefável Trindade.¹
¹  Carta apostólica de João Paulo II MULIERIS DIGNITATEM – 15 de agosto de 1988 – por ocasião do ano Mariano.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Fámília: Patrimônio da Humanidade




   Há algum tempo notei que existe uma moda que está “colando” nas ruas caxienses: adesivo dos integrantes da família colado no carro. Essa moda não está só em Caxias, surgiu em Santa Catarina,e já viaja pelo Brasil inteiro. O interessante que,ao conversar com as pessoas que o utilizam,esclarecem que não o utilizam por ser tendência, mas sim fazem uso do adesivo para mostrar à sociedade o quanto valorizam sua família.
   Nessas manifestações individuais podemos perceber que há a formação de um movimento (não organizado) de resgate à instituição familiar. Mesmo que a mídia, ideologias, políticas, coloquem que é uma estrutura social retrógrada que não acompanha mais o indivíduo do século XXI, o ser humano precisa da família. Aristóteles fala que o ser humano é um ser social, e João Paulo II o complementa colocando que “o homem é essencialmente um ser social; com maior razão, pode-se dizer que é um ser "familiar"”. A família não faz parte só da sociedade, como muitos afirmam, mas faz parte também, e principalmente, do ser humano, pois é a sua primeira referência de convívio social e de vivência de valores.
   Percebe-se que quanto mais a base familiar (pai, mãe e filho) é alterada e fragmentada, mais o ser humano sofre com seus conflitos internos, o que o torna cada vez mais solitário, individualista e materialista. Fatores esses que fazem das doenças psíquicas, depressão e pânico, as síndromes do nosso século. ‘Quanto mais o homem afasta-se de sua família, mais se afasta de si mesmo. ’  

   Não vivemos uma época de mudanças, mas uma mudança de época, em que as relações e o modo de vivê-las estão em constante transformação. No entanto, para que as pessoas possam continuar vivendo em sociedade, e a sociedade possa desenvolver-se em um ambiente de paz, é necessária a preservação da entidade familiar. Cito João Paulo II novamente, pois afirma que “a família porta consigo o futuro da sociedade; seu papel especialíssimo é o de contribuir eficazmente para um futuro de paz”. 
   Não se pode reduzir a família a uma simples estrutura do capitalismo, pois ela guarda consigo a essência do ser humano, e é devido a esse fato que devemos considerá-la um patrimônio da humanidade, não a deixando suscetível às mudanças do sistema.
   Se sua família, embora com dificuldades e defeitos, continua unida, não se esqueça de tombá-la. Uma maneira de tombamento*, além de usar o adesivo de sua família no carro, é cuidar de seus pais, zelar pelos seus irmãos, e promover os valores bons vividos entre vocês.


*Segundo Wikipédia, o tombamento é o ato de reconhecimento do valor cultural de um bem, que o transforma em patrimônio oficial, levando-se em conta sua função social.