sábado, 14 de maio de 2011

Blogs Católicos devem aprofundar notícias para Formar Opinião

No dia 02 de maio deste ano, aconteceu uma conferência de Blogueiros Católicos no Vaticano. Dentre os 150 bloguistas estava o brasileiro Wagner Moura. Ele nos escreve falando desta atsmosfera Blogueira que toma conta das vidas de milhões de pessoas no mundo todo.

Que blog você leu hoje?
Por Wagner Moura*


Uma tarefa sagrada é cumprida diariamente pelo porta-voz do Vaticano,
padre Frederico Lombardi, logo após a celebração da Santa Missa, às
7h30 da manhã: com o auxílio de um blogueiro (autor de conteúdos
publicados em um blog), amigo dele, padre Lombardi atualiza-se sobre
os assuntos tratados na blogosfera, conjunto de diferentes blogs que,
reconhece o padre, são muito importantes para a sociedade e para a
Igreja.

A revelação foi anunciada pelo porta-voz do Vaticano, na tarde de 02
de maio, a cerca de 150 blogueiros, de 17 línguas diferentes,
convidados pela Santa Sé para o encontro Vatican Blog Meeting. O
evento inédito promovido pelos dos Conselhos Pontifícios para a
Cultura e para as Comunicações Sociais contou com a participação de
quatro blogueiros brasileiros e foi uma oportunidade de diálogo entre
a hierarquia da Igreja e protagonistas do “continente digital”. Ele
quis servir como exemplo para todas as Igrejas particulares ao
reconhecer a contribuição dos blogueiros para desenvolver a opinião
pública dos fieis na Igreja, algo já tratado no documento conciliar
sobre as comunicações sociais, Inter Mirifica (n.8 e 14).

Essa consciência é defendida pelo convidado do Brasil para participar
do 7° Mutirão Brasileiro de Comunicação, em julho, o arcebispo Cláudio
Maria Celli, presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações
Sociais. Após o Vatican Blog Meeting ele demonstrou o apreço
institucional pelos porta-vozes da cultura digital ao afirmar a
L’Osservatore Romano, o jornal da Santa Sé, que “os blogs são espaço
de autenticidade e ao mesmo tempo de provocação; eles nos ajudam a
crescer. São novas possibilidades de relações humanas, ricas,
dinâmicas e vivazes! O anúncio da Palavra de boca em boca, coração a
coração, isso é natural à nossa fé e uma nova forma de fazer isso é
pelos blogs”.

Durante o encontro, no Vaticano, os participantes foram convidados a
refletir sobre o sentido missionário dos blogs e provocados a estarem
a serviço da liberdade humana para construir comunidade e não estarem
a serviço de si mesmos. Em relação ao diálogo com a Igreja, os
blogueiros foram lembrados que esta não é inimiga deles, mas uma fonte
de informação que conta com eles para clarificar os discursos dela
junto à opinião pública, buscando a verdade para evitar confusão,
garantindo-se assim a liberdade.

Falou-se ainda do desafio de uma “pastoral 2.0” que supra a
necessidade de formação de “web-agentes-pastorais” e “web-pastores”
aptos a dialogar com a cultura digital, a compreender que a atividade
pastoral na rede mundial de computadores é comparável à construção de
uma comunidade local. Estimulou-se, uma vez mais, as autoridades
eclesiais a se engajarem na comunidade blogueira, mostrando assim o
desejo de evangelizar o homem imerso nessa cultura.

Para muitos blogueiros que participaram do Vatican Blog Meeting o
momento foi considerado uma homenagem ao Papa João Paulo II
beatificado um dia antes do evento e considerado como o Papa das
comunicações. Foi ele quem abriu a Igreja para o diálogo com a
internet, demonstrando entender bem a necessidade de mediação cultural
frente ao avanço tecnológico dos meios de comunicação de nosso tempo.

Nesse contexto de reconhecimento, alguns blogueiros começaram, pela
internet, a divulgação do pedido de “patrono súbito” para tornar o
beato Papa João Paulo II o padroeiro dos comunicadores em geral. Até
que isso seja possível, os blogueiros reunidos pelo Vaticano esperam
fomentar – de preferência em diálogo com as conferências episcopais
encontros locais e nacionais de blogueiros para que a mensagem do
encontro multiplique-se e gere bons frutos.

*Wagner Moura é autor do blog pró-vida
www.diasimdiatambem.wordpress.com e contou com o apoio da Arquidiocese
de Campinas para participar do primeiro encontro de blogueiros
promovido pela Santa Sé, no dia 02 de maio, evento para o qual foi
convidado pelo Vaticano.

sábado, 9 de abril de 2011

Imprensa - O quarto poder (De quem? Povo, setor econômico, ou governo?)

  Como o dia do jornalista foi nesta última quinta (7 de abril), meu texto abordará a profissão e algumas releituras que tenho feito como estudante de jornalismo, católica, e cidadã, sobre a imprensa. Você, que é twitteiro, blogueiro, ou simplesmente que coloca notícias em um mural, tem um pouco de jornalista, pois jornal é toda e qualquer publicação dotada de atualidade, periodicidade, e variedade da matéria. Com tudo, isso não anula a necessidade do curso de jornalismo para quem quer informar para a grande massa, pois é na faculdade que nos tornamos aptos para exercer o jornalismo como um serviço público, que, de forma neutra e sucinta, pode colocar às claras o que muitas vezes setores influentes na sociedade querem esconder dos cidadãos. E é sobre esse jornalismo que quero falar.
  Infelizmente, o que vemos hoje são jornalistas que não têm mais o compromisso com a informação e sim com a "empresa jornalística" em que trabalham. Comunicando a notícia um pouco "alterada" para a venda de mais exemplares, os jornalistas desrespeitam os envolvidos com o fato e o próprio leitor quando fazem da informação simplesmente um produto. Além de alterar a notícia, muitas vezes emitem opinião como se fossem doutores do assunto e a colocam como verdade absoluta. Acham que podem falar mais que um médico sobre um assunto de saúde, mais que um engenheiro sobre uma obra pública, mais que um juiz sobre leis, e mais que a Igreja sobre sacramentos e dogmas da Igreja. O jornalista deve ter um conhecimento geral sobre as coisas, porque sua função é comunicar com a linguagem dos cidadãos o que é relevante para a sociedade, mas deve comunicar como um transmissor de conteúdo e não como uma fonte de conteúdo. Quando o jornalista passa por cima de quem realmente sabe do assunto, só comprova a sua falta de responsabilidade com a notícia apresentada perante a sociedade.
  No entanto, o jornalista forma-se assim pelo próprio sistema de comunicação social brasileiro. A grande mídia controla os principais tipos de meios de comunicação como um oligopólio: Globo, que controla revistas Veja, Época, O Globo, e a imprensa local RBS, que controla os jornais Pioneiro e Zero Hora e as rádios Atlântida e Itapema. Ou seja, nossa fonte de informação é uma só, o que dá poder à Globo para informar o que e do jeito que ela quer, de forma que ou o jornalista se adéqua a esse sistema, ou ele não é incluso na comunicação social. E quem controla a Globo? Partes do governo e as grandes empresas privadas brasileiras. Por isso, a imprensa brasileira mostra ocultando (quando noticia algum fato da forma que ela quer, ocultando informações, e destacando outras) e oculta mostrando (quando a mídia mostra um Brasil com uma realidade que não existe, com programas que entretém a população, mas não educam, e quando mais de 25% da programação é destinada à propaganda), pois ela tem um objetivo: manipular os cidadãos conforme o interesse dos setores envolvidos. Assim, da forma que a mídia é influente na população,  pratica-se a violência simbólica, que é trazer um conteúdo pronto ao individuo, não o instigando a pensar.


Segue abaixo um vídeo que fala sobre o funcionamento da comunicação social brasileira. Coloco para analisarmos a quem pertence à imprensa, quem ela influencia e que tipos de verdade ela nos coloca.  


quinta-feira, 17 de março de 2011

MULIERIS DIGNITATEM


         No mês em que ocorreu o dia internacional das mulheres, quero refletir a   Carta Apostólica de João Paulo II sobre a mulher e sua vocação – Mulieris Dignitatem – Dignidade da Mulher. Não é triste pensar que são necessárias leis, um dia, políticas públicas, movimentos, para a sociedade valorizar e respeitar a mulher?(O mesmo ocorre com idosos, crianças,etc.). A mulher deve ser respeitada simplesmente por ser um ser – cidadã e filha de Deus – e ainda mais amada pelo seu chamado principal: a mulher representa um valor particular como pessoa humana e, ao mesmo tempo, como pessoa concreta, pelo fato da sua feminilidade [...]ela é aquela na qual a ordem do amor no mundo criado das pessoas encontra um terreno para deitar a sua primeira raiz¹, ou seja, o primeiro contato com o amor que o ser humano tem é através da mãe-mulher.
         No entanto, ninguém sabe amar se nunca foi amado. Por isso, faz parte da identidade da mulher devido à sua feminilidade ser amada primeiramente, para, por sua vez, amar. A dignidade da mulher está intimamente ligada com o amor que ela recebe pelo próprio fato da sua feminilidade e também com o amor que ela, por sua vez, doa¹. Além de ser amada por Deus, pela sua família, pelo seu esposo, a sociedade também tem o dever de amar a mulher, pois é ela, o berço da sociedade. Entretanto, há tempos que se promove uma cultura de que amar a mulher é igualá-la ou torná-la mais que o homem, o que abafa sua feminilidade, e não a valoriza pelo o que ela é. Feminilidade, segundo o dicionário Aurélio, é Qualidade, caráter, modo de ser, de viver, de pensar, próprio da mulher. Homens e mulheres devem ter direitos iguais, mas não são iguais na sua natureza, e isso é belo: serem diferentes e se completarem. Como diz diácono Nelsinho Corrêa: “Diferenças não são barreiras, são riquezas”.
         A sociedade e a mulher, com o passar do tempo que o sexo feminino foi deixando de exercer sua vocação e sua feminilidade, na mesma proporção, foram ficando sem sentido e sem identidade. À medida que a mulher foi saindo de casa para trabalhar, deixando seus filhos na creche das 7h às 19h, cada vez mais, seus filhos – a nova geração - foram ficando sem referências e sem amor maternal, o que ocasionou a nossa juventude de hoje, que preenche o seu vazio com drogas, violência, e relacionamentos descartáveis. Já a mulher, agredindo, desde o seu corpo, com roupas cada vez mais masculinas, até seu psíquico, quando, mesmo sendo um ser sensível e dócil, tem que encarar o mundo de maneira fria e calculista, foi perdendo sua essência e se auto-flagelando. A mulher não pode se encontrar a si mesma senão doando amor aos outros¹.
 Há clínicas psicológicas em Caxias do Sul que tratam da depressão, síndrome de pânico,e outras doenças no sexo femino, através do resgate da feminilidade dessas mulheres. No entanto, o mais contraditório na nossa sociedade,é que, a mesma cidade que promove um tratamento eficaz para a mulher, também permite que a torne um objeto de prazer e comércio humano através da prostituição: Um levantamento realizado pelo Pioneiro durante duas semanas aponta pelo menos 30 endereços, somente na área central, onde o favorecimento à prostituição de mulheres é explícito. Onde está o Ministério Público, Polícia Civil, Brigada Militar e Fundação de Assistência Social, que, recentemente, em uma megaoperação, desarticulou uma suposta rede que explorava travestis em Caxias?
     A mulher é forte pela consciência de sua missão, forte pelo fato de que Deus lhe confia o homem, sempre e em todos os casos, até nas condições de discriminação social em que ela se possa encontrar. Esta consciência e esta vocação fundamental falam à mulher da dignidade que ela recebe de Deus mesmo, e isto a torna forte e consolida a sua vocação[...]tal como saíram do coração de Deus, com toda a beleza e riqueza da sua feminilidade; tal como foram abraçadas pelo seu amor eterno; tal como, juntamente com o homem, são peregrinas sobre a terra, que é, no tempo, a pátria dos homens e se transforma, às vezes, num vale de lágrimas ; tal como assumem, juntamente com o homem, uma comum responsabilidade pela sorte da humanidade, segundo as necessidades cotidianas e segundo os destinos definitivos que a família humana tem no próprio Deus, no seio da inefável Trindade.¹
¹  Carta apostólica de João Paulo II MULIERIS DIGNITATEM – 15 de agosto de 1988 – por ocasião do ano Mariano.