segunda-feira, 15 de abril de 2013

Procura-se um novo óculos

Quando se fala releitura de mundo, se pensa em um questionamento das coisas externas, do que influencia o ser humano de fora para dentro. Movimentos de massa, correntes ideológicas, revoluções, modas, psicologias, etc. Mas, dentro desse mesmo mundo, tem corações, tem coisas pequenas, internas, subjetivas, que são tão importantes quanto as visíveis. Entretanto, nosso olho humano é mal treinado para vê-las. Uma miopia coletiva.
Em uma entrevista de emprego, o que era importante era quantos filmes vi, quantos livros li, quantas línguas falava, quantas teorias sabia. Quão cult eu era. Aí me perguntei o quanto isso era realmente importante para o trabalho que ia fazer. Era um trabalho local, em que mais valia ser alguém ligado nas necessidades humanas e conhecedores das dores da comunidade dali, do que qualquer outra coisa. Não me perguntaram se dava bom dia quando chegava do trabalho, se sabia trabalhar em grupo, participar e me comprometer. Não me perguntaram se era pronta para ajudar os colegas, se sabia lidar com a competitividade ou o que eu podia contribuir para um serviço melhor. Não seriam essas coisas que realmente fazem a diferença em um ambiente de trabalho? Enfim...
"Deixei minha família por essa oportunidade em outra cidade, precisava desse desafio", diz mãe de filho de dois anos. Nossa, que corajosa, essa sim tem foco, sabe aonde quer chegar. "Larguei o trabalho para cuidar melhor dos meus filhos", diz mãe de filha de seis. Essa quer viver às custas do marido, que preguiçosa, retrocedeu. Como a gente não consegue dimensionar e valorizar o cuidado humano. Somos muito práticos, objetivos, queremos resultados, números. Vivemos em tempos em que "imediato" e "instantâneo" são as qualidades dos outdoors. Esse cuidado humano não dá resultados assim. Não se traduz em números, por isso, aos nossos olhos, perde valor. Demora, é uma gotinha de cada vez, é a construção de um ambiente invisível, que só com óculos muito especiais se consegue ver. Mas que faz uma diferença, ah, que diferença...
São surpresas, dedicações, cuidados, que fazem o ser humano se sentir amado. "Ai, não precisa". Precisa sim. Se não precisasse Jesus não ia se preocupar em dar vinho a uma festa como o seu primeiro milagre, com tanta coisa para fazer. 
Dizem que o amor mantem o relacionamento. Mas ouvi diferente, e acho que tá mais certo: o relacionamento mantem o amor. É a forma que tratamos as pessoas que alimenta o que sentimos umas pelas outras. Não é mágica, é cuidado humano. É um esforço para arrancar uma risada. É uma corrida para achar tempo para ouvir uma pessoa. É se preocupar com o que a pessoa precisaria, mesmo ela não pedindo. É acordar mais cedo para esquentar o café e dormir mais tarde para lavar a louça. É tentar se colocar no lugar do outro, mesmo sendo difícil e exigindo que saia da zona de conforto. É, às vezes, largar de ter a razão - mesmo tendo - para ter a paz. 
Porém, não dá para atirar em todas as direções. Comece dando Deus a quem Deus te deu. Deus só pede aquilo que Ele nos dá. Pela felicidade de quem nós somos responsáveis? Comece por aí. Comece pedindo essa nova visão, esse novo óculos. 

sexta-feira, 1 de março de 2013

Ajude o Amor amar

Pare um pouco. Olhe para a janela, olhe para as pessoas que passam. Saia do mundo da sua cabeça. Olhe ao mundo que está ao redor de sua cabeça. O que cada uma traz consigo? Será que são as mesmas angústias e alegrias? Preocupações e objetivos? O que grita em cada uma delas? O que cada uma grita? 

A massificação trouxe a perda da identidade. E como o grito de socorro, como uma tentativa de sobrevivência de seu ser, o ser humano responde com individualismo e indiferença aos outros. O governo não consegue olhar para cada realidade, cada história, cada sonho. A mídia não consegue passar a verdade, generaliza e erra, julga com inverdades. A educação serve para igualar a todos. À quem resta olhar para cada um? À quem resta defender, acompanhar, cuidar, dignificar? O ser humano precisa ser olhado. Está no vazio dele. Está na solidão. Está no olhar que procura outro olhar.

O Amor nasceu e morreu para amar. Cada um. Cada ser. 
Pela sua vida e sua morte, o nosso viver tornou-se digno.
E tornamos sua morte vã. Seu sacrifício vão. Sua verdade vã.
Quando, cada alma, não se deixa amar. Não se ama. Não consegue ser amada. Não tem um relacionamento de amor consigo mesma.

Não dá para deixar isso acontecer. 

Pelo menos ame. Ame alguém hoje. Leve amor, de alguma forma, de algum jeito. Alivie a sensação de abandono, de solidão, de descuido, de indiferença. Perdoe, ajude, alivie a dor de alguém, dê um sentido. Dê o que você tem para dar. Para doar. Para parar de doer.

Ajude o Amor amar.





terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Coisas

Quanto mais coisas temos... Mais temos que cuidá-las, guardá-las, arrumá-las. Mais temos que procurá-las. Mais temos que achar lugar para elas. Mais coisas para guardar coisas. Mais temos coisas para combinar com coisas e usar com coisas. Mais precisamos de coisas. Mais chances de termos coisas roubadas. Mais temos coisas para perder. Mais temos contas das coisas.  Mais temos chances de ter coisas que o vizinho não tem. Mais coisas para quebrar... e para consertar. Mais temos coisas para perder tempo. Mais temos coisas para ocupar tempo.  E movidos por tantas coisas, e por ter mais coisas, o que fazemos se tornam coisas. O que produzimos se tornam coisas. O que lemos se tornam coisas. O que escrevemos se tornam coisas. Nosso conhecimento se torna coisa para fazer outras coisas. Precisamos de coisas para realizar outras coisas. E movidos por tantas coisas, e para ter mais coisas, nossos relacionamentos podem nos dar mais coisas. Eles viram coisas. Coisas para cuidar, mas para nos dar coisas. E se as coisas servem para tantas coisas... as pessoas viram coisas. Elas nos oferecem muitas coisas. E os momentos com elas se tornam coisas. E nós nos tornamos coisas. Nosso corpo torna-se uma coisa, com coisas para modificar. Mais as coisas ocupam nosso tempo. E mais precisamos das coisas para ficarmos ocupados.

Mais temos medo de ficar só com as coisas. E o medo se torna coisa que pode ir embora com outras coisas. E o que sentimos viram coisas para conseguirmos ficar bem com as coisas.



Mas as coisas são só...coisas. E quanta coisa a gente perdeu.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Para atuar(lizar)

Sim, eu continuo escrevendo, até mais do que antes. Mas em outros locais. Não, eu não abandonei o blog, fiz uma breve pausa (de seis meses) até tudo se ajeitar. Sim, sinto saudade de atualizar isso aqui. Não, não consegui postar os meus textos novos, então vou postar o do Natal. Sim, sempre é Natal e a mensagem deve ser renovada todo o dia, então ainda dá tempo de transmitir o que quero falar. E, sim, vou iniciar 2012 com a esperança de atualizar mais frequente o blog ou pelo menos de fazer alguma mudança que o torne mais simples (apesar que acho que ele veio para ser crítico, e uma crítica fundamentada não é simples e breve, mas vou continuar tentando). 

Mais um Jesus vai nascer 
(Para ser postado na véspera do Natal, mas...sempre é véspera, estamos sempre esperando Jesus)

Nada mais óbvio que uma coluna sobre o Natal na véspera da festa. Todos querem propor uma reflexão, trazer ao mundo sua lição de vida nessa época do ano. Por que será que esse momento nos levanta tantos pensamentos?
Nada mais comum que um dezembro agitado, entre receber o salário e gastá-lo em presentes. Já é Natal para o comércio há mais de dois meses. Ninguém mais aguenta as músicas natalinas e as cores vermelho, verde e dourado. Ano após ano, os centros das cidades ficam tumultuados e estressantes, e, ano após ano, reclamamos disso. Mas, afinal, todos precisam comprar seus presentes. Por qual motivo as pessoas se sentem convocadas a presentear para agradecer ou mostrar carinho?
A faxina mais pesada do ano é feita na preparação da festividade, pelo menos onde a família é de descendência italiana. Dezembro é mês de arrumação, de recolher o que não se usa mais para doar. O que o Natal suscita nas pessoas que faz com que elas queiram se preparar?
Também é o momento onde se contata os familiares para participar da ceia. Podemos não ter falado com eles durante o ano, mas todos precisam estar na confraternização. O que o Natal tem que faz com que as pessoas queiram estar juntas?
Então, é Natal (de novo). Desejos de paz, saúde e felicidade. Podem só durar uma noite ou até serem resgatados no Ano Novo, mas todos querem expressá-los. Infelizmente, por ser tudo tão previsível, parece que nós só passamos pelo Natal. Nada mais surpreende. Se a festa é sempre igual, qual é o sentido de vivê-la?
Uma certa vez, uma criança, com seus cinco anos de idade, mas muitos de esperteza, me perguntou “se em todo Natal Jesus nasce, então existem muitos ‘Jesuses’ no mundo?”. De forma inocente, ela se questionou o sentido do Natal. Perguntou-se qual é a novidade que é celebrada, se todo ano acontece a mesma coisa.
Pois está aí a resposta. A festa justamente comemora o novo. Natal é nascimento de um novo. É a festa da esperança, onde se renova a esperança de mudança. E é logo o novo, a mudança, a novidade, que ela tem perdido. O evento tem diminuído o brilho, pois tem perdido sua essência e virado um protocolo.
Vamos à origem da festa. Jesus era a única esperança do povo hebreu de uma libertação social. A população esperava expectante pelo Messias. Ao nascer, renovou toda a possibilidade de mudança. Já para os cristãos, trouxe a esperança de uma libertação espiritual. Jesus representa, para quem nele acredita, a possibilidade de esperançar com uma nova vida. É isso que essencialmente o Natal significa.
Não é culpa da comercialização, das reflexões e das faxinas. Queremos refletir para ajudar as pessoas, presentear para agradecer, arrumar a casa para sentir um novo material e estar reunido para acreditar juntos nessa mudança. De certo modo, essas atitudes tem sentido quando, por trás delas, há um sentido maior.
O que precisamos é renovar a nossa esperança de mudança. Talvez para isso, precisamos mudar de verdade durante o ano. A descrença que o Natal possa trazer um novo é porque não vivemos o novo proveniente do Natal passado. Não é culpa do Natal. É resultado do ano. Mas vamos renovar a esperança. Não é por nada que a festa vem antes do Ano Novo, logo, ainda há tempo de viver tudo diferente. 
Que o Natal seja o momento em que as pessoas acreditem que vale a pena viver um Ano, de fato, Novo! 

Então, um ano novo cheio de Jesus a todos!



sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Novo x Velho ?

Esses dias, acompanhei os estudos da minha irmã e vi que ela estudava antônimos. Frio, quente, longe, perto, grande, pequeno, e além dessas palavras, percebi que na lista tinha novo e velho. Perguntei-me, será que novo e velho são realmente opostos? Precisam ser opostos?
Porque digo isso: juventude lembra novo, mudança, sagacidade. No entanto, é um novo tão novo que não deveria ser baseado no velho. Ou seja, somos um novo que não precisaria ser necessariamente contra, antagônico, e aversivo pelo que é considerado velho. Um novo que está para ser construído, e não que se constrói na direção contrária do que já foi construído.
Temos mais acesso à informação, e, portanto, a vários pontos de vistas, culturas e experiências. Entretanto, isso não nos garante a postura que freqüentemente adotamos, de sermos conhecedores da verdade, de ideologias e de valores, se não nos aprofundamos realmente nos assuntos. Promovemos o discurso do “politicamente correto”, do moderno, mas muitas vezes corremos o risco de sermos moralmente vazios, pois nossas ações não possuem sentido.
 Levantamos a bandeira do anti-preconceito, porque temos que ser atualizados, mas temos preconceito com o que não é nossa bandeira, com o que é “ultrapassado”. Por exemplo, jovens que defendem a liberdade de expressão a favor dos gays, mas ofendem – praticam a “religiofobia” – com quem pertence a alguma religião ou quem opta pela castidade. Ué, castidade também não é uma opção sexual? Também não merece respeito e valor (veja mais em www.euescolhiesperar.com.br)?
Enfim, o tema em questão não é sexualidade, e sim questionar a ânsia que a juventude tem de negar o “velho” e abrir-se para o “novo”. Talvez o velho não seja ruim, e o novo não seja o melhor, pois se há práticas que penduram por tanto tempo, é porque, realmente, elas são importantes e fazem parte da existência humana.
Para ser de fato um novo para o mundo, não basta ser jovem, tem que ser livre. Livre na mentalidade e na alma, e isso só se consegue buscando a verdade. Como está escrito no livro de Romanos, "não vos conformeis com este mundo, mas transformai-o pela renovação do vosso espírito".

sábado, 16 de julho de 2011

Cont(ato)s

   Sabemos que vivemos em uma Era diferente. Os adultos buscam incessantemente estudá-la para compreendê-la. Nós, jovens, buscamos vivê-la. É engraçado ver como os adultos estudam os fenômenos das redes sociais, da internet, da compressão do tempo e do espaço, da geração y, e nós nem nos interessamos em nos perguntar sobre isso. Não paramos para pensar por que esse nosso modo novo de viver espanta tantos estudiosos. Mas é um questionamento interessante.
   São diferentes tipos de valores. Não somente  os valores morais se alteraram, mas também o peso de importância de certos elementos. Na Era da Agricultura, até o ano de 1776, o principal valor era a terra, de forma que as atividades da sociedade giravam em torno da propriedade. Por volta de 1860, na Era do Artesanato, quem possuía domínio sobre o trabalho, sobre a mão de obra, possuía mais relevância social. Em 1970, o capital era o principal valor, pois vivíamos a Era industrial. Agora, desde o ano 2000, vive-se a Era do Conhecimento, e o elemento mais estimado pela sociedade é a informação.
   Por que todo esse retrospecto histórico? Pois assim entendemos nossa juventude e seus fenômenos. A informação como notícia traz segurança aos jovens desta época, e a rede de relacionamentos lhes garante inserção social. Talvez seja aqui a explicação dos jovens permanecerem tanto tempo vivendo uma vida virtual e pouco real. Talvez seja aqui o motivo pelo qual nossa juventude se aprofunda tão pouco em conteúdos, em idéias, em caminhos. Estar bem atualizado e em dia com seu grupo social basta. Será?
   Ter contatos realmente ajuda a viver neste tempo, entretanto só isso não nos garante nada. A informação, seja rede de relacionamentos, notícias, idéias, só tem algum valor se acabar em construção pessoal e comunitária. É necessário refletir, partilhar, e aplicar a informação para que ela vire de fato conhecimento. Ou seja, contato sem ato de nada serve. Fica só cont.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Releitura do blog


   Na escola, ouvi muitas vezes que, para escrever, tenho que ler. Inicialmente, achei que a finalidade da leitura na escrita era somente adquirir um vocabulário vasto e correto. Mas, com o tempo e na prática, percebi que seu principal fim é simples: quanto menos eu leio, menos eu tenho o que escrever. Menos conteúdo, menos argumentação, menos reflexão. E nesse processo, viver também é uma estratégia. Quanto menos eu vivo e mais focada fico em produzir, menos experiências eu tenho para oferecer.
   Caro amigo leitor, fiquei um tempo sem redigir no blog, entretanto não desisti da causa. Mesmo não escrevendo, cuidei do blog de outras formas: parei, vivi, li, observei, pensei, criei, questionei, apreendi, mudei, e por fim, reli muito. Reli o mundo, a vida, e reli o próprio blog.
   Por mais que vivamos no tempo em que temos sempre que produzir algo para alguém, seja um produto, uma resposta, uma tarefa, defendo o quão importante é parar para refletir sobre o que se está produzindo, para quem, e o quanto se pode melhorar.
   A minha melhora no blog será com textos mais simples, que questionem mais ao invés de criticar, de forma que a informação se transforme em conhecimento através da sua construção. Minha bandeira sempre foi de analisarmos criticamente o que nos é imposto, e não posso ser eu mais uma a impor, mesmo que seja indiretamente por cadeia lógica de pensamento. De uma forma mais organizada, haverá marcadores para você saber sobre o que estou falando, e buscar mais sobre o assunto. Os marcadores são: Família, Governo(política e cidade), Educação, Artes (música, teatro, produção artística), Ciência (Saúde, pesquisa), Comunicação, Economia, Igreja, Relacionamentos, e meu estado de vida atual, Juventude. Considero esses aspectos essencias para o ser humano e para a sociedade, de forma que constituem grande parte do mundo que quero reler.   
 
Faça você sua observação, sua crítica, sua construção. Só seja livre. Não tenha medo de sair da sua zona de segurança e buscar a Verdade, pois ela o libertará. João,8,32


sábado, 14 de maio de 2011

Blogs Católicos devem aprofundar notícias para Formar Opinião

No dia 02 de maio deste ano, aconteceu uma conferência de Blogueiros Católicos no Vaticano. Dentre os 150 bloguistas estava o brasileiro Wagner Moura. Ele nos escreve falando desta atsmosfera Blogueira que toma conta das vidas de milhões de pessoas no mundo todo.

Que blog você leu hoje?
Por Wagner Moura*


Uma tarefa sagrada é cumprida diariamente pelo porta-voz do Vaticano,
padre Frederico Lombardi, logo após a celebração da Santa Missa, às
7h30 da manhã: com o auxílio de um blogueiro (autor de conteúdos
publicados em um blog), amigo dele, padre Lombardi atualiza-se sobre
os assuntos tratados na blogosfera, conjunto de diferentes blogs que,
reconhece o padre, são muito importantes para a sociedade e para a
Igreja.

A revelação foi anunciada pelo porta-voz do Vaticano, na tarde de 02
de maio, a cerca de 150 blogueiros, de 17 línguas diferentes,
convidados pela Santa Sé para o encontro Vatican Blog Meeting. O
evento inédito promovido pelos dos Conselhos Pontifícios para a
Cultura e para as Comunicações Sociais contou com a participação de
quatro blogueiros brasileiros e foi uma oportunidade de diálogo entre
a hierarquia da Igreja e protagonistas do “continente digital”. Ele
quis servir como exemplo para todas as Igrejas particulares ao
reconhecer a contribuição dos blogueiros para desenvolver a opinião
pública dos fieis na Igreja, algo já tratado no documento conciliar
sobre as comunicações sociais, Inter Mirifica (n.8 e 14).

Essa consciência é defendida pelo convidado do Brasil para participar
do 7° Mutirão Brasileiro de Comunicação, em julho, o arcebispo Cláudio
Maria Celli, presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações
Sociais. Após o Vatican Blog Meeting ele demonstrou o apreço
institucional pelos porta-vozes da cultura digital ao afirmar a
L’Osservatore Romano, o jornal da Santa Sé, que “os blogs são espaço
de autenticidade e ao mesmo tempo de provocação; eles nos ajudam a
crescer. São novas possibilidades de relações humanas, ricas,
dinâmicas e vivazes! O anúncio da Palavra de boca em boca, coração a
coração, isso é natural à nossa fé e uma nova forma de fazer isso é
pelos blogs”.

Durante o encontro, no Vaticano, os participantes foram convidados a
refletir sobre o sentido missionário dos blogs e provocados a estarem
a serviço da liberdade humana para construir comunidade e não estarem
a serviço de si mesmos. Em relação ao diálogo com a Igreja, os
blogueiros foram lembrados que esta não é inimiga deles, mas uma fonte
de informação que conta com eles para clarificar os discursos dela
junto à opinião pública, buscando a verdade para evitar confusão,
garantindo-se assim a liberdade.

Falou-se ainda do desafio de uma “pastoral 2.0” que supra a
necessidade de formação de “web-agentes-pastorais” e “web-pastores”
aptos a dialogar com a cultura digital, a compreender que a atividade
pastoral na rede mundial de computadores é comparável à construção de
uma comunidade local. Estimulou-se, uma vez mais, as autoridades
eclesiais a se engajarem na comunidade blogueira, mostrando assim o
desejo de evangelizar o homem imerso nessa cultura.

Para muitos blogueiros que participaram do Vatican Blog Meeting o
momento foi considerado uma homenagem ao Papa João Paulo II
beatificado um dia antes do evento e considerado como o Papa das
comunicações. Foi ele quem abriu a Igreja para o diálogo com a
internet, demonstrando entender bem a necessidade de mediação cultural
frente ao avanço tecnológico dos meios de comunicação de nosso tempo.

Nesse contexto de reconhecimento, alguns blogueiros começaram, pela
internet, a divulgação do pedido de “patrono súbito” para tornar o
beato Papa João Paulo II o padroeiro dos comunicadores em geral. Até
que isso seja possível, os blogueiros reunidos pelo Vaticano esperam
fomentar – de preferência em diálogo com as conferências episcopais
encontros locais e nacionais de blogueiros para que a mensagem do
encontro multiplique-se e gere bons frutos.

*Wagner Moura é autor do blog pró-vida
www.diasimdiatambem.wordpress.com e contou com o apoio da Arquidiocese
de Campinas para participar do primeiro encontro de blogueiros
promovido pela Santa Sé, no dia 02 de maio, evento para o qual foi
convidado pelo Vaticano.

sábado, 9 de abril de 2011

Imprensa - O quarto poder (De quem? Povo, setor econômico, ou governo?)

  Como o dia do jornalista foi nesta última quinta (7 de abril), meu texto abordará a profissão e algumas releituras que tenho feito como estudante de jornalismo, católica, e cidadã, sobre a imprensa. Você, que é twitteiro, blogueiro, ou simplesmente que coloca notícias em um mural, tem um pouco de jornalista, pois jornal é toda e qualquer publicação dotada de atualidade, periodicidade, e variedade da matéria. Com tudo, isso não anula a necessidade do curso de jornalismo para quem quer informar para a grande massa, pois é na faculdade que nos tornamos aptos para exercer o jornalismo como um serviço público, que, de forma neutra e sucinta, pode colocar às claras o que muitas vezes setores influentes na sociedade querem esconder dos cidadãos. E é sobre esse jornalismo que quero falar.
  Infelizmente, o que vemos hoje são jornalistas que não têm mais o compromisso com a informação e sim com a "empresa jornalística" em que trabalham. Comunicando a notícia um pouco "alterada" para a venda de mais exemplares, os jornalistas desrespeitam os envolvidos com o fato e o próprio leitor quando fazem da informação simplesmente um produto. Além de alterar a notícia, muitas vezes emitem opinião como se fossem doutores do assunto e a colocam como verdade absoluta. Acham que podem falar mais que um médico sobre um assunto de saúde, mais que um engenheiro sobre uma obra pública, mais que um juiz sobre leis, e mais que a Igreja sobre sacramentos e dogmas da Igreja. O jornalista deve ter um conhecimento geral sobre as coisas, porque sua função é comunicar com a linguagem dos cidadãos o que é relevante para a sociedade, mas deve comunicar como um transmissor de conteúdo e não como uma fonte de conteúdo. Quando o jornalista passa por cima de quem realmente sabe do assunto, só comprova a sua falta de responsabilidade com a notícia apresentada perante a sociedade.
  No entanto, o jornalista forma-se assim pelo próprio sistema de comunicação social brasileiro. A grande mídia controla os principais tipos de meios de comunicação como um oligopólio: Globo, que controla revistas Veja, Época, O Globo, e a imprensa local RBS, que controla os jornais Pioneiro e Zero Hora e as rádios Atlântida e Itapema. Ou seja, nossa fonte de informação é uma só, o que dá poder à Globo para informar o que e do jeito que ela quer, de forma que ou o jornalista se adéqua a esse sistema, ou ele não é incluso na comunicação social. E quem controla a Globo? Partes do governo e as grandes empresas privadas brasileiras. Por isso, a imprensa brasileira mostra ocultando (quando noticia algum fato da forma que ela quer, ocultando informações, e destacando outras) e oculta mostrando (quando a mídia mostra um Brasil com uma realidade que não existe, com programas que entretém a população, mas não educam, e quando mais de 25% da programação é destinada à propaganda), pois ela tem um objetivo: manipular os cidadãos conforme o interesse dos setores envolvidos. Assim, da forma que a mídia é influente na população,  pratica-se a violência simbólica, que é trazer um conteúdo pronto ao individuo, não o instigando a pensar.


Segue abaixo um vídeo que fala sobre o funcionamento da comunicação social brasileira. Coloco para analisarmos a quem pertence à imprensa, quem ela influencia e que tipos de verdade ela nos coloca.  


quinta-feira, 17 de março de 2011

MULIERIS DIGNITATEM


         No mês em que ocorreu o dia internacional das mulheres, quero refletir a   Carta Apostólica de João Paulo II sobre a mulher e sua vocação – Mulieris Dignitatem – Dignidade da Mulher. Não é triste pensar que são necessárias leis, um dia, políticas públicas, movimentos, para a sociedade valorizar e respeitar a mulher?(O mesmo ocorre com idosos, crianças,etc.). A mulher deve ser respeitada simplesmente por ser um ser – cidadã e filha de Deus – e ainda mais amada pelo seu chamado principal: a mulher representa um valor particular como pessoa humana e, ao mesmo tempo, como pessoa concreta, pelo fato da sua feminilidade [...]ela é aquela na qual a ordem do amor no mundo criado das pessoas encontra um terreno para deitar a sua primeira raiz¹, ou seja, o primeiro contato com o amor que o ser humano tem é através da mãe-mulher.
         No entanto, ninguém sabe amar se nunca foi amado. Por isso, faz parte da identidade da mulher devido à sua feminilidade ser amada primeiramente, para, por sua vez, amar. A dignidade da mulher está intimamente ligada com o amor que ela recebe pelo próprio fato da sua feminilidade e também com o amor que ela, por sua vez, doa¹. Além de ser amada por Deus, pela sua família, pelo seu esposo, a sociedade também tem o dever de amar a mulher, pois é ela, o berço da sociedade. Entretanto, há tempos que se promove uma cultura de que amar a mulher é igualá-la ou torná-la mais que o homem, o que abafa sua feminilidade, e não a valoriza pelo o que ela é. Feminilidade, segundo o dicionário Aurélio, é Qualidade, caráter, modo de ser, de viver, de pensar, próprio da mulher. Homens e mulheres devem ter direitos iguais, mas não são iguais na sua natureza, e isso é belo: serem diferentes e se completarem. Como diz diácono Nelsinho Corrêa: “Diferenças não são barreiras, são riquezas”.
         A sociedade e a mulher, com o passar do tempo que o sexo feminino foi deixando de exercer sua vocação e sua feminilidade, na mesma proporção, foram ficando sem sentido e sem identidade. À medida que a mulher foi saindo de casa para trabalhar, deixando seus filhos na creche das 7h às 19h, cada vez mais, seus filhos – a nova geração - foram ficando sem referências e sem amor maternal, o que ocasionou a nossa juventude de hoje, que preenche o seu vazio com drogas, violência, e relacionamentos descartáveis. Já a mulher, agredindo, desde o seu corpo, com roupas cada vez mais masculinas, até seu psíquico, quando, mesmo sendo um ser sensível e dócil, tem que encarar o mundo de maneira fria e calculista, foi perdendo sua essência e se auto-flagelando. A mulher não pode se encontrar a si mesma senão doando amor aos outros¹.
 Há clínicas psicológicas em Caxias do Sul que tratam da depressão, síndrome de pânico,e outras doenças no sexo femino, através do resgate da feminilidade dessas mulheres. No entanto, o mais contraditório na nossa sociedade,é que, a mesma cidade que promove um tratamento eficaz para a mulher, também permite que a torne um objeto de prazer e comércio humano através da prostituição: Um levantamento realizado pelo Pioneiro durante duas semanas aponta pelo menos 30 endereços, somente na área central, onde o favorecimento à prostituição de mulheres é explícito. Onde está o Ministério Público, Polícia Civil, Brigada Militar e Fundação de Assistência Social, que, recentemente, em uma megaoperação, desarticulou uma suposta rede que explorava travestis em Caxias?
     A mulher é forte pela consciência de sua missão, forte pelo fato de que Deus lhe confia o homem, sempre e em todos os casos, até nas condições de discriminação social em que ela se possa encontrar. Esta consciência e esta vocação fundamental falam à mulher da dignidade que ela recebe de Deus mesmo, e isto a torna forte e consolida a sua vocação[...]tal como saíram do coração de Deus, com toda a beleza e riqueza da sua feminilidade; tal como foram abraçadas pelo seu amor eterno; tal como, juntamente com o homem, são peregrinas sobre a terra, que é, no tempo, a pátria dos homens e se transforma, às vezes, num vale de lágrimas ; tal como assumem, juntamente com o homem, uma comum responsabilidade pela sorte da humanidade, segundo as necessidades cotidianas e segundo os destinos definitivos que a família humana tem no próprio Deus, no seio da inefável Trindade.¹
¹  Carta apostólica de João Paulo II MULIERIS DIGNITATEM – 15 de agosto de 1988 – por ocasião do ano Mariano.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Trânsito de Cidade Grande, Mentalidade de Cidade Pequena


Com a correria do dia-a-dia, fica difícil parar para refletir. Entretanto, neste texto abordarei o que está me fazendo obrigatoriamente parar, e conseqüentemente refletir: o trânsito de Caxias do Sul. A cidade cresceu fisicamente, economicamente e em número populacional, o que ocasiona a compra demasiada de veículos (435.842 moradores, entre crianças, jovens, adultos, etc., segundo Censo 2010, para 210 mil veículos, segundo meu pai), fazendo com que o trânsito de Caxias, em horários de pico, fique intrafegável.
Como acontece na maioria das cidades urbanizadas, esperava-se que o crescimento de Caxias aliar-se-ia com o desenvolvimento através da criação de políticas e estruturas públicas, mas não foi o que aconteceu. A cidade, que se destaca pela sua economia e modelo de organização, sofre de dois males que impedem a melhoria do trânsito: os interesses individuais da população,e os interesses do Setor de transporte.
Na vida urbana, todas as coisas de utilidade geral localizam-se no centro. Entendo meu avô, que,quando ia para o centro,dizia que ia para a “cidade”, pois na sua visão, tudo o que ele precisava, encontrava-se lá.No entanto,o centro de Caxias não comporta seu fluxo urbano,pois,da população total, 419.321 está concentrada na área urbana, enquanto 16.161 pessoas na zona rural. Por isso, é urgente que se descentralize o trânsito do centro para os bairros, mesmo que essa medida não seja cômoda para grande parte da população. Exemplifico com a situação que vivo: com a descentralização das paradas, meu local de pegar ônibus ficou três quadras mais longe, mas em compensação meu ônibus está mais rápido cerca de 15 minutos.  Comprova-se que, se a população pensar no coletivo, e não só no que lhe fica mais fácil, todo o trânsito fluirá melhor.
Já o setor de transporte,influenciados pelos setores da sociedade caxiense, não incentiva os projetos que prejudicam as minorias interessadas. Por exemplo, há o estacionamento na rua Sinimbu que congestiona todo o trânsito central, mas ele continua lá pois é interessante para o comércio da localidade que as pessoas estacionem para comprar. No entanto, são cerca de sete quadras, com oito carros por quadra, o que beneficia somente 56 veículos por aproximadamente uma hora. Essa medida prejudica o coletivo, pois a Sinimbu seria uma rua com fluxo rápido e intenso se houvesse mais uma via. Outra medida sugerida pela Visate é tornar a Júlio um corredor de ônibus, o que é inviável,pois não há estrutura física, e lastimável, porque a rua é histórica e preserva ainda uma das belezas da cidade: a sua tradição.
Se cada um fazer o papel que lhe cabe, é possível melhorar o trânsito de Caxias. A mudança começa com setores públicos, mas a conscientização de todos envolvidos, pedestres,ciclistas e motoristas, tornará eficaz a melhoria. Abaixo segue um vídeo que retrata bem o motorista caxiense:


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Desconectar para conectar

         Após um blecaute de luz no meu trabalho, juntamente com o fim da bateria do celular, tive a sensação de ficar sem chão. Precisava me comunicar com as pessoas, saber o que estava acontecendo e, para isso, não havia nem celular, nem internet. Então, vem o pensamento: como o homem moderno necessita manter-se conectado! Na verdade, como eu preciso. É importante manter-se informado, e atualizar-se com as novas mídias sociais, pois agilizam a comunicação tanto a nível profissional como a nível pessoal, mas até que ponto isso não afeta o nosso ‘ser’ humano?
 A informação não influencia só na maneira de nos relacionarmos, mas também na nossa natureza humana. Após a jornada de um trabalho normal, sente-se o cansaço físico, que auxilia a vinda do sono. Já o cansaço de quem trabalha conectado o dia inteiro, com internet e celular,é o mental, que, ao contrário do físico, desperta o indivíduo na hora de deitar-se e não permite um sono tranqüilo.
         Necessitamos de Deus, de água, de respostas, de natureza, de amor, de abraço, mas não de internet. A espécie humana sobreviveu ‘anos-luz’ sem luz elétrica, então porque a internet precisa estar em tudo atualmente? Seu papel é importante no mundo globalizado de hoje pela era digital em que vivemos,como Bento XVI afirma‘tal como a revolução industrial produziu uma mudança profunda na sociedade através das novidades inseridas no ciclo de produção e na vida dos trabalhadores, também hoje a profunda transformação operada no campo das comunicações guia o fluxo de grandes mudanças culturais e sociais. ’ Entretanto, porque manter-se conectado é tão essencial para o ser humano individualmente? Será que a informação, já que dá ao indivíduo uma falsa impressão de controle do que está acontecendo ao seu redor, não se tornou uma zona de segurança para as pessoas, que vivem no mundo onde é pregado a inexistência de algo sólido para acreditar?         
         Especialistas impressionam-se com a descoberta de que a internet dá a sensação das distâncias geográficas tornarem-se menores e do tempo passar mais rápido. Embora eu queira ser jornalista e meus instrumentos de trabalho sejam a informação e a internet, acredito que quem diminui realmente as distâncias e faz o tempo passar mais rápido  é o amor. Como as palavras às vezes passam,mas as imagens permanecem, dou continuidade ao meu texto com o vídeo a seguir,que, ao tornar concreto,comprova tudo isso.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

TRAPASSIONE - A arte das Novelas Brasileiras



   Nas férias, por possuir mais tempo, costumo fazer o que durante o ano não faço: andar arrastando o chinelo Havaianas, ver a chuva de verão cair, e, para realizar algo em família, assistir a novela das 20h. Embora eu só assista em janeiro, o pouco que acompanho permite-me dizer que os enredos geralmente são uma escola de ladroagem e traição. Exemplifico com a última novela do horário nobre, Passione, que irrigada de trapaças, jogos de interesses, e assassinatos, deveria chamar-se Trapassione. A freqüência que os maus exemplos são colocados em diversas novelas, por mais que seja somente ficção, torna os desvios de conduta normais para a nossa sociedade.
    A televisão tem o objetivo, além de informar e vender, entreter. No entanto, é triste pensar que famílias brasileiras esquecem seus problemas assistindo histórias feitas das tragédias da vida humana; talvez ao assistir essas novelas, seus problemas pareçam pequenos perto do que lhes é apresentado, e isso lhes gera conformismo perante sua realidade. (Aqui nos lembramos da velha política romana do Pão e Circo –' pois dando o que comer e do que se entreter, o povo permanece em silêncio ').
   O preocupante nessa situação é que o que é exibido na televisão de um país é reflexo do seu povo, pois se não tivesse nenhuma semelhança, a mídia não atrairia o seu público local. Pode-se comprovar isso comparando os seriados americanos e as novelas brasileiras: o forte nacionalismo da população estadunidense é percebido nas suas séries, pois o estilo de vida abordado é somente o do norte-americano. Já no Brasil, as novelas que fazem mais sucessos são aquelas que retratam as culturas da Ásia, da Europa, dos Estados Unidos, devido à prefência dos brasileiros pelo "importado". Outro fato são as comédias dos americanos que, fazendo sátiras do seu governo, desenvolvem o senso crítico da população. Na comédia brasileira, as sátiras são feitas do modo de viver dos próprios brasileiros, possibilitando o povo achar graça de sua desgraça.
   Encerro a análise sociológica, e coloco minha visão individual citando a passagem de Mateus 6,21 ‘Porque onde está o teu tesouro, lá também está teu coração’. Tu demonstras teus valores e princípios naquilo que te és precioso, no que te és importante, e no que te fazes bem. Cuides com o que tu deixas entrar em tua casa e no que despendes o teu tempo, pois há coisas,como o tempo e a essência,que são preciosas demais para desperdiçar.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Fámília: Patrimônio da Humanidade




   Há algum tempo notei que existe uma moda que está “colando” nas ruas caxienses: adesivo dos integrantes da família colado no carro. Essa moda não está só em Caxias, surgiu em Santa Catarina,e já viaja pelo Brasil inteiro. O interessante que,ao conversar com as pessoas que o utilizam,esclarecem que não o utilizam por ser tendência, mas sim fazem uso do adesivo para mostrar à sociedade o quanto valorizam sua família.
   Nessas manifestações individuais podemos perceber que há a formação de um movimento (não organizado) de resgate à instituição familiar. Mesmo que a mídia, ideologias, políticas, coloquem que é uma estrutura social retrógrada que não acompanha mais o indivíduo do século XXI, o ser humano precisa da família. Aristóteles fala que o ser humano é um ser social, e João Paulo II o complementa colocando que “o homem é essencialmente um ser social; com maior razão, pode-se dizer que é um ser "familiar"”. A família não faz parte só da sociedade, como muitos afirmam, mas faz parte também, e principalmente, do ser humano, pois é a sua primeira referência de convívio social e de vivência de valores.
   Percebe-se que quanto mais a base familiar (pai, mãe e filho) é alterada e fragmentada, mais o ser humano sofre com seus conflitos internos, o que o torna cada vez mais solitário, individualista e materialista. Fatores esses que fazem das doenças psíquicas, depressão e pânico, as síndromes do nosso século. ‘Quanto mais o homem afasta-se de sua família, mais se afasta de si mesmo. ’  

   Não vivemos uma época de mudanças, mas uma mudança de época, em que as relações e o modo de vivê-las estão em constante transformação. No entanto, para que as pessoas possam continuar vivendo em sociedade, e a sociedade possa desenvolver-se em um ambiente de paz, é necessária a preservação da entidade familiar. Cito João Paulo II novamente, pois afirma que “a família porta consigo o futuro da sociedade; seu papel especialíssimo é o de contribuir eficazmente para um futuro de paz”. 
   Não se pode reduzir a família a uma simples estrutura do capitalismo, pois ela guarda consigo a essência do ser humano, e é devido a esse fato que devemos considerá-la um patrimônio da humanidade, não a deixando suscetível às mudanças do sistema.
   Se sua família, embora com dificuldades e defeitos, continua unida, não se esqueça de tombá-la. Uma maneira de tombamento*, além de usar o adesivo de sua família no carro, é cuidar de seus pais, zelar pelos seus irmãos, e promover os valores bons vividos entre vocês.


*Segundo Wikipédia, o tombamento é o ato de reconhecimento do valor cultural de um bem, que o transforma em patrimônio oficial, levando-se em conta sua função social.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Para que(m) serve o teu conhecimento?



   Senti necessidade de questionar isso depois do meu texto anterior. Em uma aula de sociologia,meu professor fez essa pergunta.
Inicialmente coloquei que a função do meu conhecimento é servir a sociedade.No entanto, tornei-me contraditória,pois muitas vezes defendi a opção por uma Universidade Federal pela qualidade,pela gratuidade,mas também pelo nome de uma federal no currículo. Que tipo de profissional seria para os outros, se visei na educação acadêmica um título, e não a formação para ser melhor naquilo que faço? Se é para prestar serviços,não posso esperar que o nome de uma faculdade e um diploma tornem-me uma prossional, preciso tornar-me uma a partir de estudo e trabalho.
   Serve para sustento financeiro?Quando Jesus coloca 'Buscai primeiro o reino de Deus E a sua justiça'(Mat6,33),Ele nos manda fazer justiça entre os homens tanto quanto aspirar o Céu e seus valores. Justiça é plantar,para colher, estudar,para saber,trabalhar,para receber. Mas há ações que o conhecimento instiga que devem pesar mais que o retorno financeiro. Exemplifico com a minha futura profissão:o jornalista pode fazer da informação um produto, desumanizando a notícia, e desrespeitando a população. No entanto, ele é chamado a mudar realidades,e não escrever o que lhe dará mais vantagens. Como diz Alberto Dines, “a sociedade é maior do que o mercado. O leitor não é consumidor,mas cidadão.Jornalismo é serviço público,não espetáculo.”
   Realização pessoal? Janela para ver o mundo? Príncipio da dignidade humana?Acho que o conhecimento pode ser tudo isso sim,mas se torna vão quando não está a serviço do próximo. Já o vimos quando,distorcido, serviu como instrumento de manipulação de um povo (nazismo,facismo,e mais alguns ismos), entretanto,poderemos observá-lo servindo como desenvolvimento de uma nação (reforma educacional no Brasil). O saber pode enriquecer,ou empobrecer,matar,ou fazer viver,mudar,ou deixar imutável, silenciar,ou inquietar,depende da intenção do ser humano e de sua resposta à pergunta: para que(m) serve meu conhecimento?

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Releitura da educação pública, por uma vestibulanda

   Após gastar 4 dias das minhas férias e um bocado de neurônios no vestibular da UFRGS, quero falar sobre a educação pública brasileira;ainda mais que hoje saiu o resultado do ENEM 2010.
  Um dos maiores motivos da grande procura das Universidades Federais, além de que elas são pagas pelo governo(ou seja,por nós), é também a qualidade de ensino que nelas são oferecidas. O Ensino Superior tem muito mais credibilidade quando é de uma federal,de modo que ele frequentemente desbanca as faculdades particulares. No entanto, como o principal problema da educação brasileira está na base, no deficitário Ensino público Fundamental e Médio, gerava-se um ciclo de desigualdade sócio-econômico: percebia-se que a maioria dos alunos que ingressavam na faculdade federal eram de escolas particulares,que podiam pagar faculdades privadas mas optavam pela qualidade das federais,do que de alunos de escolas públicas,que não faziam Ensino Superior por não terem recursos.
   Em vista de mudar as regras do jogo, o governo colocou as cotas para Ensino Público,de forma que de um curso com 50 vagas,8 são para alunos de escolas públicas,8 para negros,e as restantes para acesso universal. Essa solução tornou mais frequente o ingresso de alunos de escola pública,no entanto, gerou uma grande migração de alunos de escolas particulares para escolas públicas em busca de cotas, e não de qualidade de Ensino. O governo visava nessa migração tornar igual o ensino básico, mas a desigualdade persistiu,pois o ensino continuou precário, e os alunos que possuem recursos,além de contar com as cotas,investem em cursos preparatórios para o vestibular. Então, fica evidente que a educação pública brasileira só será efetivamente igual e digna quando o Ensino Básico Público acompanhar a credibilidade e qualidade das Universidades Federais,o que poderá tornar até mais justo o processo de seleção que não se baseará mais numa única prova,mas no rendimento da vida escolar do aluno.
   Fiz quatro tipo de processos de seleção este ano:o enem,e os vestibulares da UFRGS,de uma universidade particular conhecida,e de uma pequena faculdade. Sem dúvida,o vestibular mais dificil foi o da UFRGS. Um fator que percebi entre a Ufrgs e o Enem,é que na Ufrgs não tinha nenhuma questão do tipo 'assinale as incorretas',onde já no Enem haviam inúmeras dessas. Esse tipo de questão tem o objetivo de tirar o aluno pela desatenção,e não por quanto sabe da questão, o que mostra que a prova da Ufrgs,e de outras federais, realmente visam selecionar alunos que possuem conhecimento. O Enem busca promover igualdade social e regional com os tipos de questões,as quais selecionam mais alunos que dialoguem com o mundo do que aqueles que simplesmente têm o conteúdo do Ensino Médio,e por isso algumas universidades federais estão o adotando como único meio de ingresso através do SISU. O problema não está na idéia do Enem,mas como ele tem sido feito: muitas questões extensas,com pouco tempo para fazê-las,e os erros na formulação da prova que tiram a confiança dos alunos no Enem.
   Enfim, o Brasil vive um progresso econômico,mas a educação não acompanha, o que nos torna ainda países subdesenvolvidos. Mudanças estão acontecendo, com o Enem, as cotas, o Sistema de Seleção Unificado(SISU), que ainda são tentativas de acertar. Acertaremos quando o objetivo da reforma educacional não for só combater a desigualdade sócio-econômica,mas sim, quando o foco das mudanças for a promoção da dignidade humana através da educação.
  Bom,depois de tanta prova, é hora de largar o lápis,arregassar as mangas e trabalhar.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Ano novo, blog novo

Início desse novo blog, final desse ano de 2010. Dois elementos que me dariam assuntos diferentes para quase um livro! No entanto, fazem parte da mesma lição de vida. Hehe Querem ver?
Comecemos pelo blog...Desde que aprendi a escrever,gosto de escrever. Só que as aulas de redações da escola não me satisfaziam, pois escrever como foi minhas férias, o que eu faria se fosse para a lua, ou se prefiro ficar ou namorar, não me permitia colocar minha visão crítica das coisas. Então, dos meus 10 aos 15 anos tive diversas tentativas para criar um espaço onde poderia devanear nos assuntos, como um flogão ,flogbrasil e até um fotolog. Tentei, mas minha falta de fidelidade em escrever continuamente, e minha pressa de querer ver o produto final, e não o ver, fizeram com que eu desanimasse e desistisse. Assim, passei meu Ensino Médio querendo escrever, só que os fatores anteriores me deixaram conformada com as aulas de redações. Agora, nas férias da passagem da escola para a faculdade de Jornalismo, obriguei-me a construir esse espaço para, pelo menos, treinar meu português (não terei mais as aulas de redações... hehe) e ter, finalmente, um lugar para construir, criticar, viajar, opinar, ou seja, escrever.
Enfim, esse fato de fazer ou não fazer o blog foi só a exemplificação de como muitas vezes vivemos o ano. Iniciamos com as férias, em janeiro, e nossa meta é chegar em dezembro, com as férias novamente. Empurramos com pressa os outros 10 meses, como máquinas, para viver os 10 dias de descanso, como humanos. Acabamos infelizes, cansados e muitas vezes frustrados no final do ano. E por que isso? Ansiedade em chegar à meta desejada, sem viver o percurso, e a falta de fidelidade nas pequenas coisas. Queremos chegar a um determinado local, mas não queremos viver o caminho que precisa ser feito até chegar lá. É de passo em passo que se faz a caminhada, é de dia a dia que se faz o ano, e é de pequenas ações que se realiza um grande projeto. Concluí isso nadando esses dias. Sabe aquele objetivo imaginário que a gente se desafia? Chegar até o outro lado da piscina. Comecei nadando,afobando-me para atingir esse desafio. Quando o concluí, estava cansada, quase afogada de tanta água que engoli e quis desistir. No entanto, resolvi fazer o mesmo trajeto de volta,com calma, aproveitando cada braçada, e cheguei melhor na outra margem. Fiz a mesma distância nos dois trajetos?Fiz. Atingi o meu objetivo nas duas vezes? Atingi. Foi o mesmo resultado? Não.
Nesse ano que inicia, quero ser fiel em cada braçada, em cada dia, em cada texto, com cada pessoa, em cada ação, pois é assim que atingirei o que almejo sem deixar de viver tudo o que há para viver.
Feliz ano novo a todos! E Feliz Blog novo!



" E no entardecer da vida, seremos julgados pelo amor..."S. João da Cruz